Os apaixonados por cinema sabem: existem cenas que tornam-se maiores do que o próprio filme e tem dias que é impossível simplesmente não se imaginar dentro delas. E um bom exemplo dessa memória afetiva é o clássico “Cantando na Chuva”.

Exibido pela primeira vez no dia 27 de março de 1952, o musical está entre as obras que resistiram ao tempo, virando inspiração para diversas produções e eternizando significados. Afinal, quem nunca quis sair cantando e dançando na chuva, como Gene Kelly, em um dia chuvoso e feliz?

Antes tarde do que nunca

Quem assiste ao filme hoje nem imagina, mas “Cantando na Chuva” nem sempre foi um sucesso. Na época que foi lançado, acredite se quiser, a obra praticamente passou despercebida pelo grande público e críticos de cinema, conseguindo apenas duas indicações ao Oscar (melhor atriz coadjuvante para Jean Hagen e melhor trilha musical) e não levando nenhuma.

Aliás, mesmo tendo caprichado na produção, o próprio estúdio deixou o filme de lado até os anos 70, quando decidiu restaurá-lo. Mas foi na década seguinte, ao começar a ser exibido na TV que o musical ganhou popularidade e começou a receber o reconhecimento que merecia, sendo aclamado anos depois, em 2017, como o quinto melhor filme da história do cinema.

Curiosidades sobre Cantando na Chuva

cantando na chuva filme

Como todo grande clássico, “Cantando na Chuva” é um filme cheio de curiosidades, principalmente no que diz respeito a famosa e bem-humorada cena de Gene Kelly cantando “Singing in the Rain” (clique aqui e assista o vídeo) na chuva, dançando com seu guarda-chuva todo feliz por ter seu amor correspondido e grandes planos profissionais. É tanta alegria que transborda pela tela e é impossível ver a plenitude do personagem sem se contagiar.

Quem vê toda essa felicidade nem imagina que o ator  não estava assim tão nem naquele momento. Pelo menos não de saúde. Até hoje ninguém consegue dizer, com certeza, quanto tempo a cena levou fazer ser gravada (há quem diga que foi um dia inteiro e outros até três), mas a verdade é que durante todo esse tempo, seja ele qual for, Gene Kelly estava com 38ºC de febre. E os problemas do ator não pararam por aí. Além da febre, da dor e do desconforto, ele ainda precisou trocar várias vezes de roupa, já que os ternos encolhiam, e ficar lá repetindo a cena encharcado até que tudo estivesse perfeito. E não é que ele conseguiu?

O mistério da chuva

A perfeição não esteve presente só na atuação de Kelly, a beleza da chuva que virou o carro-chefe do filme também chamou atenção e boatos sobre os truques usados não faltaram. Eram tempos de recursos limitados e poucos efeitos especiais, restando apenas aos produtores usar a criatividade para fazer acontecer.

Talvez, por isso, ninguém tenha duvidado quando surgiu a afirmação de que a água usada na chuva havia sido misturada com leite para que os pingos ficassem mais encorpados e visíveis. Informação que depois acabou sendo desmentida pelos próprios produtores que afirmaram que o efeito foi criado apenas com técnicas de iluminação.

Sorte a nossa que talento não faltou neste set e, graças a ele, os dias de chuva ganharam coreografia e trilha sonora, pelo menos em nossos corações.

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